The Big Brother and the O.S.S. are watching you!

Para o tema dessa semana, a direção do Cinema e Teoria assistiu a dois filmes: 1984 e Equals.

Dirigido por Michael Radford e protagonizado por John Hurt, o filme 1984 é uma adaptação do clássico livro homônimo de George Orwell, lançado em 1949.
A narrativa conta com um tom crítico e distópico, a história de uma sociedade vivendo sob o controle e a vigilância de uma organização política intitulada O Partido e essa sob o comando de um grande líder, O Grande Irmão – Big Brother – que se sustentam na base de um sistema chamado SOCING ou Socialismo Inglês.


Winston Smith(John Hurt), é um homem magro e solitário que trabalha no Ministério da Verdade, departamento do governo responsável por tudo relacionado a informação e a história (manipuladas) deste. Smith sofre uma espécie de revolução em sua monótona e conformada vida a partir da tomada de consciência da opressão na qual ele e toda aquela sociedade sofre, e isso se dá de forma bem mais intensa ao encontrar Júlia (Suzzana Hamilton).
Entre as formas que o Partido usa para manter a manipulação sob aquela sociedade, estão a propaganda com cartazes com a frase “The Big Brother is watching you” (O Grande Irmão está vigiando você) e mídias audiovisuais. A principal mídia audiovisual nessa caso, é a tele-tela, uma espécie de televisão que é a o mesmo tempo uma câmera que fica instalada em todos os lugares, inclusive na casa de cada cidadão, usada para fazer a publicidade do governo e, principalmente, como forma de vigiar e controlar os passos das pessoas.
É possível perceber então, que além da crítica de viés político, 1984 nos dá uma luz sobre uma questão muito presente hoje, a de como a vigilância e o monitoramento – tão presentes e normalizados –, podem interfir e modificar hábitos, costumes e pensamentos com o fato de algo ou alguém e toda uma sociedade que não se tem contato direto, está vigiando e controlando os passos de quem está do outro lado da tela.

1984 é um exemplo de eficiência e legitimidade de sistemas de Videovigilância.
Um relatório britânico sobre Circuitos Fechados de câmeras de vigilância, usado como base por Fernanda Bruno, após concluir em sua pesquisa a ineficiência do dispositivo, atribui a falha ao mau uso e às altas expectativas, além da dificuldade exterior de medir a redução de crimes. Na pesquisa, moradores de um condomínio apóiam o uso das câmeras, mesmo ao constatar sua ineficácia e admitir até mesmo o aumento da sensação de insegurança, por acreditar no potencial do equipamento se bem gerido. O relatório sugere uma melhor utilização dos aparelhos e investimento em biometria e softwares de análise às imagens captadas.

No filme, percebe-se, também a teoria de André Lemos. O autor usa como base o estudo da professora Mireille Rosello, da Universidade de Amsterdã. O estudo de Rosello discute a noção da cultura da insegurança criada pelos dispositivos de monitoramento. De acordo com o autor, Rosello compreende que esses dispositivos fazem parte de um discurso de segurança que, ao mesmo tempo, criam uma cultura de insegurança, produzindo, dessa forma, o sujeito inseguro.

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Nessa perspectiva futurística, o filme Equals é outra proposta “atual” que a direção do Cinema e Teoria decidiu trazer para o tema Vigilância, monitoramento e privacidade. Com fotografia, roteiro, trilha sonora, elenco e direção impecáveis, o filme foi amplamente aclamado pela crítica.

A trama de ficção científica se desenvolve com a evolução da raça humana para uma sociedade altamente monitorada e desprovida de sentimentos. A descoberta de uma doença que está se alastrando rapidamente entre os habitantes, a S.O.S – síndrome da mudança, na qual as pessoas voltam a sentir – e o que o sistema faz para monitorá-la são os pontos principais do filme. Vistos pela Organização de Saúde e Segurança (OSS) como perigosos e capaz de ameaçar o estilo de vida da nação, as pessoas com a dita “doença” são coagidas a iniciar tratamento contra esses sentimentos e são encorajados até mesmo a se matar nos estágios mais avançados.
É aí que conhecemos Silas (Nicholas Holt), um rapaz que trabalha em uma corporação que visa as descobertas no universo, que ao começar a sentir, procura a Organização de Saúde e Segurança e é diagnosticado com a doença. Silas trabalha com Nia (Kristen Stewart) que chama sua atenção durante um suicídio que ambos presenciam. Silas nota que Nia não é neutra em relação ao suicídio de alguém, que aquilo a incomoda e a chateia, e a partir desse momento, ele passa a querer observá-la de perto.

Nia é uma escondida (termo utilizado no filme para portadores da doença que não relatam sua condição à OSS) e ambos estabelecem uma conexão intrigante. Com o passar do tempo, cresce um romance entre os dois, mas o forte monitoramento do sistema tecnológico e das pessoas ao seu redor coloca a vida dos dois em risco. Assista ao filme e nos conte se você vê relação com a vigilância da trama futurística com a dos dias atuais 😉

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